O Instituto nasceu da união de um grupo de psicanalistas que se organizou como associação sem fins lucrativos. Com o tempo, os membros tomaram rumos diferentes — em vida e em fim de vida — e o legado do grupo permaneceu como o próprio Instituto: um espaço para divulgar trabalhos de pessoas voltadas à psicanálise, à filosofia e às artes, e para facilitar o acesso das pessoas a esses temas, inclusive no aspecto mercadológico.
Formação e difusão
O Instituto nasceu em 2014, como associação sem fins lucrativos, fundada por um grupo de psicanalistas unidos pelo propósito comum de formação e difusão da psicanálise. Entre 2014 e 2021, dedicou-se especificamente à formação psicanalítica.
Uma escolha de resistência
A partir de 2021, essa atividade foi paralisada. A decisão não foi de recuo, mas de resistência: o mercado brasileiro de formação em psicanálise passou a ser inundado por cursos e "formações" sem qualquer critério mínimo de exigência, ao lado de pós-graduações no campo da psicologia que, em três a seis meses, passaram a entregar títulos de "psicanalista" a profissionais oriundos da psicologia e de outras abordagens terapêuticas — como se a análise pudesse ser adquirida por diploma, e não pela travessia de uma experiência.
Freud jamais quis isso. Ao escrever A Questão da Análise Leiga, deixou claro que a psicanálise não pertence a nenhuma categoria profissional — não é propriedade da medicina, não é propriedade da psicologia. Foi por isso que recusou entregá-la ao projeto médico-institucional de Jung, preservando-a como prática aberta a quem se dispusesse a atravessar a própria análise, e não a quem apenas acumulasse créditos acadêmicos.
Lacan levou esse princípio adiante ao instituir o Passe — o momento em que o próprio analisando testemunha, perante um júri de pares, a passagem de analisando a analista. Não é um diploma. É uma travessia verificada por quem também a percorreu. Poucos, hoje, sabem sequer do que se trata — o que diz muito sobre a distância entre o que a psicanálise exige de si mesma e o que o mercado de "formações rápidas" está disposto a entregar por um preço.
Diante desse cenário, o Instituto suspendeu sua atividade formativa, recusando-se a competir nesse mercado nos termos em que ele se estabeleceu.
"O ser não se acumula. O ter, sim."
Um instituto mantido, não fundado por um só
Hoje, o Instituto é mantido pela empresa privada Portal Universo, patrocinado pelos dois psicanalistas remanescentes do grupo fundador, e dedica-se a divulgar a produção intelectual em psicanálise, filosofia e artes, e a facilitar o acesso das pessoas a esses temas — inclusive no aspecto mercadológico, através do InstitutoAtende.